O Partido Social Democrático (PSD) anunciou que o prefeito de Chapecó, João Rodrigues, não será mais o candidato da sigla ao Governo de Santa Catarina. A notícia foi confirmada pelo ex-governador Jorge Bornhausen, que convocou a imprensa em Florianópolis para comunicar a decisão, que reflete um rearranjo estratégico e tensões internas na legenda, movimentando o tabuleiro político estadual.

A mudança na chapa se deu após intensas discussões dentro do partido, que envolveram diretamente o prefeito de Florianópolis, Topázio Neto. Segundo Bornhausen, as ações de Topázio, embora também filiado ao PSD, estariam desalinhadas com o projeto político estadual da sigla, gerando um desgaste significativo e culminando na deliberação. Após essas divergências, Bornhausen se reuniu com o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, antes de tornar pública a decisão.

Apesar da retirada de João Rodrigues, o PSD mantém seu objetivo de lançar uma candidatura própria para o Executivo catarinense nas próximas eleições. Entre os nomes que estão sendo considerados e podem ser avaliados para representar o partido, foram citados o presidente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), Júlio Garcia, o deputado estadual Napoleão Bernardes e o ex-governador Raimundo Colombo. A sigla busca, assim, um perfil experiente para a disputa.

João Rodrigues, por sua vez, foi informado da decisão e manifestou surpresa diante dos acontecimentos. Fontes próximas ao prefeito de Chapecó indicam que ele estaria avaliando a possibilidade de deixar o partido nos próximos dias, em meio ao impasse. Ele marcou uma coletiva de imprensa para esta sexta-feira, em Florianópolis, onde deverá se pronunciar publicamente sobre os acontecimentos e seu futuro político. Bornhausen, entretanto, expressou a esperança de que Rodrigues permaneça filiado ao PSD.

A retirada de João Rodrigues do páreo tem potencial para alterar significativamente o panorama político de Santa Catarina. Rodrigues era considerado um dos principais adversários do atual governador, Jorginho Mello, em um possível cenário de reeleição. Com a saída de um nome forte da oposição, o cenário para Mello pode se tornar mais favorável, enquanto outros partidos e pré-candidatos terão que reavaliar suas estratégias diante da nova configuração do PSD e das incertezas quanto à candidatura própria da legenda.