Santa Catarina, que se firmou como o segundo estado do Brasil em contratação de imigrantes, está intensificando esforços para aprimorar suas políticas de acolhimento e integração. Uma comitiva da cidade de Concórdia, polo agroindustrial de relevância no estado, visitará Toledo, no Paraná, entre os dias 8 e 11 de agosto. O objetivo principal da missão é compreender como a cidade paranaense conseguiu transformar a recepção de migrantes em uma política pública concreta e mensurável, um modelo que Santa Catarina almeja replicar.
A necessidade de mão de obra qualificada tem sido um motor para a crescente contratação de imigrantes no estado. Dados da Observatório FIESC revelam que 5,5% dos trabalhadores da indústria catarinense, o equivalente a 53,7 mil pessoas, são imigrantes. Somente em 2025, a indústria estadual já incorporou 6,2 mil novos trabalhadores estrangeiros, com a maioria proveniente da Venezuela (63%), Cuba (16%) e Haiti (9%). Regiões como Chapecó, Joinville e o eixo agroindustrial do Oeste catarinense concentram a maior parte dessas oportunidades de emprego.
O impacto da força de trabalho migrante transcende as linhas de produção industrial, estendendo-se também ao setor comercial. Lojas, salões de beleza, supermercados e outras prestadoras de serviço têm visto um aumento significativo na ocupação de postos por imigrantes, que atuam no atendimento, vendas, empreendedorismo e até na liderança de equipes. Essa presença redefine a cadeia produtiva catarinense, influenciando desde a produção até o consumo e a prestação de serviços em diversos setores.
Em Concórdia, uma das maiores indústrias da região emprega aproximadamente 1.700 colaboradores imigrantes, a maioria venezuelana e haitiana. Esse contingente representa uma parcela importante dos mais de 10 mil trabalhadores imigrantes contratados pela companhia em todo o Brasil, sendo decisivo para o abastecimento de alimentos que parte do Oeste catarinense para o país e o exterior. Histórias como a do casal cubano Yanesy Elena Chacón Gutiérrez e Adonis Ciria Planas, que deixaram a área da saúde em Cuba para trabalhar na indústria em Concórdia, ilustram essa realidade de recomeço e adaptação.
O estado de Santa Catarina tem demonstrado um compromisso em tratar a migração como uma política econômica estratégica, indo além de uma resposta emergencial à escassez de mão de obra. Exemplos disso são o Programa Porta Aberta, uma iniciativa da FIESC em parceria com a ONU e o Sistema SESI/SENAI, que visa cobrir toda a jornada do trabalhador migrante, desde o acolhimento até a inserção no mercado formal. Em Concórdia, o Projeto de Governança Pública para Migrantes, executado pela Embaixada Solidária e pelo Instituto MBRF, busca criar um modelo de gestão que integra acolhimento humanizado, garantia de direitos e inserção laboral segura, com a criação de protocolos, formações e articulação entre os setores público e privado.

